Além da Confiança Institucional: Por Que a Due Diligence Tradicional Falhou

21 de julio de 2025
Autor: Sanjiv Sanghvi, Board Member – Avalo Holdings
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Apesar de os bancos investirem bilhões em compliance, a criminalidade financeira continua a aumentar. As práticas tradicionais de due diligence — baseadas em avaliações ao nível institucional — têm se mostrado insuficientes para conter as atividades financeiras ilícitas. A Federal Trade Commission informa que as perdas dos consumidores decorrentes de fraudes ultrapassaram US$ 12,5 bilhões em 2024, um aumento de 25% em relação ao ano anterior (FTC Consumer Sentinel Network Data Book, 2024). Enquanto isso, as instituições financeiras globais acumularam mais de US$ 26 bilhões em multas relacionadas a AML, KYC e sanções entre 2008 e 2018 (Fenergo Global Regulatory Fines Analysis), com as penalidades continuando a aumentar — ultrapassando US$ 6 bilhões somente em 2023. 

A principal falha no atual modelo de compliance é a “conformidade derivada” (derivative compliance) — na qual os bancos dependem dos processos de KYC de suas instituições parceiras, em vez de verificarem os indivíduos e as empresas por trás das transações. Esse desalinhamento entre responsabilidade e controle deixa as instituições financeiras legalmente responsáveis por falhas de compliance, mas sem visibilidade sobre os riscos transacionais. 

Know Your Client's Customer (KYCC) oferece um modelo de due diligence baseado em transações que aumenta a transparência financeira, está alinhado às tendências regulatórias emergentes e pode ser integrado aos sistemas existentes. Ao passar de uma confiança exclusivamente institucional para uma verificação ao nível da transação, os bancos podem reduzir custos, fortalecer a detecção de fraudes e obter uma vantagem competitiva em um cenário regulatório em constante evolução. 


I. Introdução: Um Sistema Projetado para Falhar

Em 2006, as autoridades mexicanas apreenderam uma aeronave DC-9 que transportava 5,5 toneladas de cocaína, ligada a clientes de um importante banco norte-americano. Apesar das verificações de compliance, as transações ilícitas continuaram a fluir. Essa falha evidencia uma abordagem de compliance deficiente, focada na verificação dos programas institucionais em vez da visibilidade das transações. Durante décadas, a due diligence concentrou-se em verificar se uma instituição parceira possui um programa de compliance e, em seguida, confiar nesse programa para identificar possíveis transações de risco no nível transacional. Esse modelo permite abusos e contribuiu para um cenário de compliance no qual os grandes bancos gastam, em média, US$ 1 bilhão por ano em compliance de AML (LexisNexis Risk Solutions 2023 True Cost of Financial Crime Compliance Study), enquanto 95–99% dos alertas de AML são falsos positivos (relatórios do setor da ACAMS, 2023), criando enormes ineficiências. 


II. O Problema Central: Conformidade Derivada

O Paradoxo da Confiança 

A “conformidade derivada” (derivative compliance) representa a falha fundamental da due diligence tradicional: os bancos dependem excessivamente dos processos de KYC de instituições estrangeiras, enquanto permanecem legalmente responsáveis por falhas de compliance. Essa abordagem desconecta responsabilidade de controle, deixando os bancos norte-americanos responsáveis por clientes que não verificaram diretamente. 

O modelo pressupõe que, se um banco estrangeiro possui políticas sólidas de KYC, seus clientes devem ser legítimos. Mas as políticas não capturam criminosos — uma análise minuciosa é necessária. Atualmente, essa análise ocorre muitas etapas distante da transação real, criando três vulnerabilidades críticas: 

  • Documentação sem Visão: As principais instituições financeiras investem centenas de milhares de dólares por relacionamento institucional em esforços de due diligence, mas riscos críticos continuam não sendo detectados devido a análises baseadas em políticas, em vez de análises focadas nas transações. 

  • O Custo do De-Risking: Grandes bancos encerram relacionamentos com bancos menores devido aos custos de compliance, levando à exclusão financeira. O Banco Mundial estima que os relacionamentos bancários correspondentes tenham diminuído aproximadamente 20% globalmente na última década. Esse “de-risking” direciona as transações por meio de intermediários adicionais, tornando, ironicamente, o sistema mais opaco em vez de mais seguro. 

  • Dados Fragmentados, Risco Fragmentado: Os bancos não possuem sistemas unificados para acompanhar a titularidade beneficiária entre diferentes transações. Instituições pequenas e grandes enfrentam dificuldades para rastrear os beneficiários finais em diferentes sistemas. Sem uma visão unificada, os padrões de transação entre diferentes canais, produtos e relacionamentos permanecem invisíveis. 


III. A Solução KYCC: Due Diligence Baseada em Transações

  • Transferindo o Foco para Onde o Risco Está A KYCC transfere a responsabilidade para onde o risco realmente está — no nível da transação. Diferentemente da conformidade derivada, que confia nos programas institucionais, a KYCC implementa: 

    • Monitoramento automatizado e avaliação de risco ao nível do cliente; 

    • Visibilidade direta sobre os remetentes e destinatários reais; 

    • Transparência alinhada às expectativas regulatórias modernas; 

    • Alinhamento da responsabilidade ao nível da transação. 

  • A Tecnologia como Facilitadora: Reconstruindo a Confiança no Nível da Transação As ferramentas modernas permitem a adoção da KYCC sem exigir uma reformulação completa dos sistemas: 

    • Integração orientada por APIs: Captura de dados transacionais aprimorados a partir dos sistemas existentes; 

    • Repositórios de dados unificados: Eliminação da fragmentação dos dados, garantindo ao mesmo tempo visibilidade pronta para auditoria; 

    • Modelos de risco AML: Identificação de transações de alto risco, em conformidade com padrões regulatórios como a triagem da OFAC; 

    • Eficiência de custos: Aumento da visibilidade por meio de automação avançada. 

Isso não se trata de tecnologia por si só — trata-se de criar visibilidade onde ela realmente importa. As soluções KYCC automatizadas podem reduzir os falsos positivos em até 80% e melhorar significativamente a eficiência do compliance (Gartner Market Guide for KYC Solutions, 2024). 


IV. Roteiro de Implementação e Caso de Negócio

A KYCC oferece vantagens tangíveis e baseadas em dados que estão alinhadas às exigências regulatórias e aos objetivos de desempenho empresarial: 

  • Eficiência de Custos: Referências do setor indicam que a automação dos processos de KYC e KYCC reduz os custos de onboarding em mais de 70% e diminui os tempos de processamento em até 90%, ao mesmo tempo em que melhora a avaliação de riscos e a gestão das informações de dados, além de fortalecer os registros de auditoria. 

  • Redução de Falsos Positivos: Pesquisas de importantes instituições de compliance (por exemplo, ACAMS e Gartner) indicam que 95–99% dos alertas de AML gerados pelos sistemas tradicionais são falsos positivos. O foco da KYCC no nível transacional melhora significativamente a precisão, resultando em operações mais enxutas. 

  • Gestão Aprimorada de Riscos: A visibilidade ao nível da transação permite uma análise direcionada de atividades genuinamente de alto risco, em vez de um monitoramento abrangente e indiscriminado. 

  • Oportunidades de Receita: A redução dos custos de compliance permite que os bancos concorram de forma mais eficaz pelo negócio de bancos correspondentes, atraiam novos parceiros e potencialmente recuperem participação de mercado perdida devido ao de-risking. 

Estratégia de Implementação 

A implementação da KYCC não exige uma reformulação completa dos sistemas. Os bancos podem: 

  • Aproveitar aprimoramentos orientados por APIs para integrar gradualmente os recursos de KYCC aos sistemas atuais, evitando reformulações dispendiosas e minimizando interrupções. 

  • Automatizar processos essenciais de compliance para reduzir o trabalho manual, melhorar a precisão e aumentar a transparência. 

  • Priorizar áreas de alto impacto nas quais uma due diligence aprimorada proporciona o maior valor e redução de riscos. 

  • Envolver os Reguladores desde o Início demonstrando a conformidade da KYCC com requisitos regulatórios, como as regras de Transparência de Beneficiários Finais da FinCEN e outras regulamentações. 

Resultados Comprovados 

De acordo com estudos de caso de fornecedores e relatórios de analistas do setor (relatórios da Refinitiv, McKinsey, Deloitte e Gartner), as instituições financeiras que implementam due diligence ao nível da transação relatam: 

  • Redução de 40% nos custos de compliance por meio da automação; 

  • 80% menos falsos positivos no monitoramento de transações; 

  • Melhores relações com os reguladores e menor nível de escrutínio. 


V. A KYCC como Diferencial Estratégico

À medida que as expectativas regulatórias evoluem, os primeiros adotantes da KYCC obtêm vantagens significativas: 

  • Alinhamento Regulatório: A KYCC aborda diretamente os recentes desenvolvimentos regulatórios, incluindo o Corporate Transparency Act de 2024 e as diretrizes da FATF sobre uma abordagem baseada em riscos. 

  • Vantagem Competitiva: A transparência ao nível da transação torna-se um diferencial na atração de clientes de alta qualidade para serviços de bancos correspondentes. 

  • Mitigação de Riscos: Em um ambiente no qual as multas globais relacionadas a AML ultrapassaram US$ 6 bilhões em 2023 (Fenergo, 2023 Global Regulatory Fines Analysis), reduzir a exposição a riscos reputacionais e regulatórios é fundamental. 

Avalo: Viabilizando a Transformação KYCC 

Como membro recente do conselho da Avalo, fiquei impressionado com sua abordagem abrangente à implementação de KYCC: 

  • Monitoramento automatizado de transações que simplifica os fluxos de trabalho de compliance. 

  • Modelos de due diligence baseados em riscos que ajustam dinamicamente o nível de análise de acordo com o perfil das transações. 

  • Tecnologia interoperável que se integra perfeitamente à infraestrutura bancária existente. 

Esses recursos demonstram como a tecnologia pode efetivamente preencher a lacuna entre os requisitos regulatórios e a gestão prática de riscos, ajudando as instituições financeiras a passar de um compliance defensivo para uma gestão estratégica de riscos. 


VI. Conclusão

A due diligence tradicional depende excessivamente da confiança por procuração — da suposição de que o programa de compliance de um parceiro é suficiente. Mas a documentação não impede a criminalidade financeira. A visibilidade, sim. 

A KYCC leva a discussão sobre due diligence para onde ela realmente pertence: a transação. Com as ferramentas certas, os bancos podem enxergar o que realmente está acontecendo — e não apenas aquilo que lhes é informado. A tecnologia finalmente alcançou o desafio de compliance, permitindo que os bancos passem da confiança cega para a verificação auditável

Hoje, a KYCC já não é apenas algo “desejável” — é um imperativo estratégico. Os primeiros adotantes já estão observando os benefícios: reduções de 40% nos custos de compliance, 80% menos falsos positivos e maior confiança dos reguladores. Essas vantagens só aumentarão à medida que os padrões globais se tornarem mais rigorosos e a fiscalização se intensificar. 

Os bancos que atrasarem a implementação da due diligence ao nível da transação arriscam muito mais do que apenas ineficiência. Eles enfrentam custos crescentes de compliance, maior exposição regulatória e possível perda de relacionamentos correspondentes essenciais. À medida que os concorrentes avançam rapidamente na modernização, o custo da inação torna-se cada vez mais significativo. 

Mas a oportunidade é igualmente grande. Ao integrar a KYCC aos sistemas existentes, concentrar-se em corredores de alto risco e envolver proativamente os reguladores, os bancos podem liderar — e não ficar para trás — na próxima era do compliance financeiro. A KYCC não apenas reduz riscos; ela constrói confiança, possibilita crescimento e fortalece a resiliência. 

A questão já não é se a KYCC se tornará o novo padrão — mas quem liderará essa transição. As instituições que adotarem a visibilidade ao nível da transação hoje definirão o futuro de um sistema bancário mais transparente, seguro e competitivo amanhã. 


Sanjiv Sanghvi traz mais de 30 anos de experiência em bancos comerciais, gestão de tesouraria e finanças internacionais para o conselho da Avalo Holdings. Como ex-EVP e Diretor Regional de Commercial Banking do Wells Fargo, liderou estratégias bancárias globais, iniciativas de gestão de riscos e esforços de compliance regulatório, fortalecendo a missão da Avalo de impulsionar a inovação em soluções de pagamentos orientadas por compliance. 

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